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Otimização de diagnósticos reduz hemoculturas desnecessárias em hospitais1

Estudo recomenda boas práticas para melhorar a detecção de patógenos na corrente sanguínea1 

O stewardship diagnóstico desempenha um papel fundamental na redução de hemoculturas desnecessárias no ambiente hospitalar. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Johns Hopkins e publicado no Journal of Clinical Microbiology.1 

  • Consideradas o "padrão ouro" para a detecção de infecções da corrente sanguínea, hemoculturas são frequentemente solicitadas para a identificação de casos de bacteremia. O problema é que nem sempre elas são indicadas.1 

Isso ocorre, segundo as autoras, porque nos Estados Unidos não há diretrizes específicas nem um referencial nacional que assinalem quando colher sangue para o exame inicial ou para documentar a eliminação da bacteremia em pacientes hospitalizados.1

O uso otimizado da hemocultura impactaria diretamente nos resultados dos pacientes, desde a identificação de bacteremia verdadeira — principalmente em pacientes com sepse —, assim como na redução de antibioticoterapia em falso-positivos, atrasos na alta hospitalar e aumentos nos custos com cuidados de saúde.1

Dados consolidados são preocupantes1

Considerada a principal causa de mortalidade de pacientes hospitalizados nos EUA, a sepse é uma preocupação constante da equipe médica. Por esta razão, diagnosticar a bacteremia é essencial, o que torna a hemocultura um recurso valioso.1 

O artigo consolida informações de outros estudos para mostrar, no entanto, que há alguns problemas no uso indiscriminado destes testes:1

  • 90% ou mais das hemoculturas de rotina não desenvolvem organismos e, por isso, não seriam realmente indicados
  • 2% das hemoculturas solicitadas para adultos com febre resultaram na detecção de bacteremia

Além disso, as hemoculturas repetidas após 24 horas da cultura inicial representam 30% de todo o volume de amostras processadas em laboratórios de microbiologia, sendo que em apenas 2% delas houve a identificação de um novo patógeno.1 

  • Um outro estudo demonstrou que aproximadamente 40% das hemoculturas repetidas foram inadequadas, já que o exame anterior foi negativo e os pacientes não apresentavam nenhum sinal adicional de infecção.1

É importante lembrar que laboratórios de microbiologia monitoram periodicamente indicadores importantes nas hemoculturas, como taxas de contaminação e positividade, entre outras. Por outro lado, a equipe médica não costuma ser informada destes números, algo considerado essencial em termos de stewardship diagnóstico.1

Boas práticas recomendadas

As pesquisadoras focaram na etapa pré-analítica da hemocultura pois identificaram sua importância na otimização do diagnóstico e, por consequência, na redução da solicitação de exames de sangue. De acordo com elas, esta etapa precisa de mais atenção no que se refere a melhorias e colaborações entre microbiologistas e a equipe de linha de frente.1 

Entre os parâmetros a serem considerados na fase pré-analítica estão:1

  • Quantas hemoculturas foram colhidas, volume por frasco e a necessidade de frascos aeróbicos e anaeróbicos1
  • O intervalo entre as hemoculturas e o momento do exame de sangue em relação à temperatura corporal1
  • As estratégias de amostragem na hemocultura1

Uma vez estabelecidas estas diretrizes, elas devem ser divulgadas para todos os profissionais da área médica, com criação de equipes multidisciplinares. As autoras concluem que a educação contínua é essencial na implementação do stewardship diagnóstico e, consequentemente, na redução de hemoculturas desnecessárias.1


Referência
1. Fabre V, Carroll KC, Cosgrove SE. Blood Culture Utilization in the Hospital Setting: a Call for Diagnostic Stewardship. J Clin Microbiol. 2022 Mar 16;60(3):e0100521. doi: 10.1128/JCM.01005-21. Epub 2021 Jul 14. PMID: 34260274; PMCID: PMC8925908. doi: 10.1128/jcm.01005-21

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